O Sol e o Céu são os temas da pintura a óleo sobre suporte de madeira existente no tecto da nave da Igreja, datada do século XIX. As obras de conservação e restauro realizadas beneficiaram da boa qualidade das pranchas de madeira de castanho, mesmo tendo em conta as infiltrações ocorridas.
O tecto é composto por diversas pranchas, de diferentes dimensões e com dez milímetros de espessura. A sanca é, também, em madeira de castanho. Quer as pranchas, quer os elementos da sanca estão fixos à estrutura do tecto, independente da que sustém o telhamento, através de pregos forjados de ferro.

A pintura é policromática, tanto no tecto como na sanca, constituída por uma fina camada de preparação e espessa camada de pintura, embora a técnica de execução não tenha sido primorosa, já que a camada de preparação resultou muito fina, não isolando convenientemente a pintura da madeira.
A recuperação implicou o levantamento de algumas pranchas de madeira do tecto para acesso ao interior. Procedeu-se à limpeza do tardoz e da sanca do tecto de poeiras e sujidades por escovagem com pequenas vassouras e aspiração controlada.
Para efectuar a imunização curativa e preventiva contra ataque de insectos que se alimentam da madeira, aplicou-se um produto insecticida/fungicida com acção residual por 10 anos.

As zonas de madeira fragilizada e com fraca resistência mecânica foram objecto de consolidação e reforço por aplicação de resina acrílica por intermédio de pincelagem.
O fecho da abertura de acesso ao tardoz foi recolocado na sua ordem, tendo este sido, ainda, revisto e reforçado na sua ligação ao tecto através da fixação com parafusos de aço inoxidável.
As superfícies policromadas foram fixadas com uma resina sintética, as lacunas volumétricas foram preenchidas e limparam-se as superfícies de sujidades por pincelagem. As superfícies policromadas foram limpas por meio químico, procedendo-se à reintegração cromática através de abstracção de cor para as lacunas da policromia.
A imagem de Nossa Senhora do Leite, provavelmente do período gótico, foi objecto de recuperação e valorização durante os anos de 2006 e 2007.
Trata-se de uma peça rara de valor histórico e artístico ainda não totalmente reconhecido, que terá chegado até esta Igreja através de doação de um padre. As suas origens poderão estar em Ferreira do Alentejo ou Lisboa, segundo alguns especialistas.

A imagem representa Nossa Senhora do Leite esculpida de pé e frontal, a olhar em frente, vestida com manto e túnica comprida a amamentar o Menino que se apresenta nu. A cabeça surge ovalada, de lábios finos e rasgados na horizontal. A cabeleira é ondeada e negra caindo sobre as costas, onde assenta uma coroa fixa e ricamente trabalhada. As costas são planas, sem qualquer trabalhado.
A composição escultórica é estática e a pintura policromática, com carnações suaves e vestes de cores vivas. A escultura foi realizada sobre pedra de Ançã, calcário branco, oólitico, homogéneo e friável com grão não discernível a olho nu.
A primeira limpeza procurou retirar poeiras soltas, sendo utilizada pincéis de cerdas macias. A fixação da policromia foi realizada pela aplicação de resina acrílica a 15 por cento em acetona. Os restos da resina foram limpos com o seu próprio solvente.
Os retábulos colaterais e laterais da nave da Igreja receberam obras de conservação e restauro entre Setembro e Novembro de 2006. Os retábulos, provavelmente datados da segunda metade do século XIX, em estilo neoclássico, são compostos por talha dourada e policromada.
Nos retábulos colaterais esquerdo e direito efectuou-se um tratamento de fixação das superfícies policromadas, através da introdução de um adesivo assente com uma espátula metálica. Aplicou-se, então, uma solução de resina acrílica do tipo copolímero de etilo metacrilato diluída a dez por cento com hidrocarboneto aromático.

O suporte foi objecto de limpeza da grande quantidade de sujidades e entulhos acumulados e da desoxidação e protecção de elementos metálicos através da aplicação de ácido tánico, dissolvido em água destilada e etanol e protegido com verniz antioxidante.
Depois da desinfecção e desinfestação contra insectos xilófagos e microrganismos através da pulverização e injecção de produto insecticida/fungicida, procedeu-se à consolidação e reforço das zonas de madeira fragilizada e com fraca resistência mecânica por aplicação por injecção e pincelagem de resina acrílica do tipo copolímero de etilo metacrilato diluída em solvente com volatilidade média e em concentrações crescentes de 8, 16 e 25 por cento.
No que se refere à policromia, foi efectuada a limpeza superficial de sujidades, o levantamento de repintes e a limpeza química das superfícies. Seguidamente, procedeu-se ao preenchimento das lacunas policromadas e douradas e ao nivelamento dos preenchimentos.
Deu-se particular atenção à reintegração volumétrica e à reintegração cromática pontual nas lacunas douradas e policromadas que provocavam interferência na leitura estética do conjunto.
Resina acrílica do tipo copolímero de etilo metacrilato, diluída em tricloroetileno, por pincelagem e em concentração a três por cento, foi aplicada como camada de protecção, conseguindo-se um brilho satinado-cera.
Nos tampos das mesas de celebração foi aplicada uma camada de protecção constituída por cera de marceneiro à trincha.
Nos retábulos laterais esquerdo e direito procedeu-se de forma muito semelhante.